Quando deixamos Deus ser Deus

  • 16/01/2026
Quando deixamos Deus ser Deus
Quando deixamos Deus ser Deus (Foto: Reprodução)

Em uma sessão de terapia, pude refletir com minha paciente sobre a importância da confiança plena e absoluta em situações nas quais somente Deus pode agir.

Compartilhei com ela – que é cristã e sempre menciona ensinamentos bíblicos – a história de Maria: uma jovem virgem, noiva, simples, que recebeu uma notícia capaz de deixar qualquer pessoa perplexa. Ela ficaria grávida de forma sobrenatural e daria à luz uma criança que seria o Filho de Deus.

Maria só pôde ser a mãe de Jesus porque permitiu que Deus fosse Deus. Antes de qualquer título, honra ou promessa cumprida, havia um coração que não tentou controlar o divino, mas escolheu confiar plenamente.

Ela não negociou termos, não impôs condições e não tentou ajustar o plano eterno à sua lógica humana. Maria se colocou no lugar certo: o de serva – e foi grata por isso (Lucas 1:46-55). Nesse lugar de entrega, Deus pôde agir com liberdade absoluta.

Quando o anjo lhe anuncia algo humanamente impossível, Maria não reage com cinismo nem tenta fugir. Ela faz uma pergunta honesta: “Como acontecerá isso, se sou virgem?’” (Lucas 1:34).

Essa pergunta não nasce da incredulidade, mas da consciência de seus limites. Maria reconhece sua humanidade. Ela sabe que não tem respostas, mas sabe a quem perguntar. Fé madura não é ausência de perguntas; é saber a quem direcioná-las.

A pergunta de Maria revela algo profundo: ela não disse “isso não pode acontecer”, mas “como acontecerá?”.

Há uma enorme diferença entre resistir ao agir de Deus e buscar entendimento enquanto se permanece disponível. Maria não pede garantias, não exige explicações completas, nem solicita um plano detalhado. Ela apenas se abre ao mistério, confiando que Deus sabe o que faz.

A resposta do céu não foi um manual, mas um convite à entrega. O anjo fala do Espírito Santo, do poder que vem do alto e da ação soberana de Deus. Maria não era nenhuma teóloga, mas ela entendeu perfeitamente aquele plano e propósito.

Maria não era teóloga, era uma jovem comum – mas entendeu perfeitamente o plano e o propósito. Ela sequer se declarou incapaz, porque estava convicta de que nada dependia dela, mas do Senhor.

Em outras palavras, a resposta para o “como” não está no controle humano, mas na rendição. O milagre não acontece porque entendemos tudo, mas porque nos entregamos por inteiro.

Somos humanas, e isso significa limites, medo, perguntas e fragilidade. Mas também significa capacidade de confiar.

Precisamos reaprender o poder da entrega. Entregar-se não é passividade; é uma escolha ativa de confiar em Deus mesmo quando não dominamos o processo. É dizer, como Maria: “Eis-me aqui”, mesmo sem compreender todos os desdobramentos (Lucas 1:38).

Hoje, a pergunta permanece aberta para nós: o que você irá perguntar ao Espírito Santo? Talvez não seja “por quê?”, mas “como o Senhor quer agir em mim?”. Talvez não seja “até quando?”, mas “o que o Senhor espera que eu entregue?”.

Assim como Maria, só participamos dos propósitos de Deus quando deixamos Deus ser Deus – e nós, servas dispostas.

O Pai ama você!

 

Darci Lourenção (@pra_darci_lourencao) é psicóloga, pastora, coach, escritora e conferencista. Foi Deã e Professora de Aconselhamento Cristão. Autora dos livros “Na intimidade há cura”, “A equação do amor”, “Viva sem compulsão” e “Devocional Minha Família no Altar”.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: A única coisa que justifica as nossas atitudes é a fé

FONTE: http://guiame.com.br/colunistas/darci-lourencao/quando-deixamos-deus-ser-deus.html


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