A guerra no Irã e a profecia de Jeremias

  • 18/03/2026
A guerra no Irã e a profecia de Jeremias
A guerra no Irã e a profecia de Jeremias (Foto: Reprodução)

A atual guerra travada pela aliança EUA-Israel contra o Irã reativou uma profecia bem conhecida entre os cristãos persas que veem seu cumprimento nessa geração e no atual conflito.

Em suas últimas profecias, Jeremias previu o juízo de Deus sobre várias nações, dentre elas, Elão — localizada a leste da Babilônia e no oeste da Pérsia, território que corresponde ao Irã atual. O profeta fala de sua queda e de sua restauração final.

“Palavra do Senhor que veio ao profeta Jeremias a respeito de Elão, no princípio do reinado de Zedequias, rei de Judá. Assim diz o Senhor dos Exércitos: ‘Eis que eu quebrarei o arco de Elão, a fonte do seu poder. Trarei sobre Elão os quatro ventos dos quatro cantos da terra e os dispersarei na direção de todos esses ventos; e não haverá país aonde não cheguem os fugitivos de Elão. Farei com que o povo de Elão trema diante dos seus inimigos e diante dos que querem matá-los. Farei vir sobre os elamitas o mal, o furor da minha ira, diz o Senhor; e enviarei a espada após eles, até que eu os tenha destruído. Porei o meu trono em Elão e destruirei dali o rei e os oficiais, diz o Senhor. Mas, nos últimos dias, mudarei a sorte de Elão, diz o Senhor.’” (Jeremias 49:34-39 — NAA). 

Essa palavra se cumpriu quando a Babilônia conquistou Elão em 596 a.C. Cerca de meio século depois, o império persa, sob o domínio de Ciro, o Grande, assumiu o controle da região, juntamente com o povo medo, derrotando os babilônios. Muitos teólogos interpretam o cumprimento de várias profecias que envolvem derrotas e conquistas de reinos com cumprimento duplo, um para os tempos antigos, outro para os tempos do fim.

É com esse entendimento que muitos cristãos persas, há décadas, fazem referência à profecia de Jeremias. O conflito atual contra Israel que, vale frisar, é apoiado pela maioria esmagadora do povo persa na guerra contra o regime de seu país, fez com que essa profecia saltasse de suas páginas para a realidade que estão vivendo. O povo farsi viu nela algo semelhante à história do livro de Ester, sobre a qual escrevi no último artigo, que voltou a se repetir desde o primeiro dia do atual conflito. 

A estrutura de terror

Após a revolução iraniana de 1979 e a instauração do regime ditatorial dos aiatolás, o Irã que era um país pacífico passou a construir um forte aparato militar. Criou o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica que passou a ser a força de elite de proteção ao regime teocrático e de controle das forças armadas.

Estabeleceu o programa de mísseis balísticos que consumiu bilhões para desenvolver a mais sofisticada força de mísseis do Oriente Médio, com alcance superior a 2 mil km, chegando a produzir milhares deles. Construiu e aprestou uma força naval capaz de realizar uma guerra naval assimétrica, constituída de meios pequenos e ágeis como lanchas rápidas e minas que possibilitariam o fechamento do estreito de Ormuz, por onde escoa quase um terço da produção mundial de petróleo.

Com seu discurso antissemita e antiamericano, ao longo das últimas décadas, o regime investiu pesadamente em grupos terroristas no exterior (conhecidos como proxies — grupos que agem por procuração) para fazer o papel sujo contra o Ocidente, especialmente Israel, realizando atos terroristas pelo mundo, evitando um confronto direto. Além disso, investiu uma fortuna na corrida para a obtenção de uma arma nucelar, a fim de “varrer Israel do mapa” algo que nunca escondeu em seus discursos políticos e religiosos. Felizmente, o regime não logrou êxito em sua busca.

A quebra do “arco de Elão”

É notável que a localização geográfica de Elão seja no sudoeste do Irã atual, região onde tem sido concentrada a maioria das operações militares de Israel e dos EUA. É ali que fica também a central nuclear de Bushehr que, até então, foi poupada dos ataques. Milhares de alvos atingidos em duas semanas de conflito praticamente aniquilaram a infraestrutura militar e bélica do Irã.

Com a destruição de toda a estrutura de defesa aérea, Israel e EUA detêm a supremacia aérea nos céus do Irã, cruzando-os livremente para realizar ataques precisos onde quer que seja necessário. Não há mais radares de busca, nem mísseis antiaéreo nem mais aeronaves de combate para resistir às forças aéreas oponentes. A mesma aniquilação ocorre com a força naval iraniana que teve todos seus principais navios de guerra, bem como lanchas de rápido emprego destruídos pela US Navy. Apesar disso, o estreito de Ormuz merece muita atenção devido à possibilidade do emprego de minas, algo que pode interditar a navegação e exigir uma operação minuciosa de limpeza de área. 

Além das forças aérea e naval, cerca de 80% dos lançadores de mísseis balísticos foram destruídos, o que explica o número cada vez mais reduzido de mísseis lançados contra Israel e demais países do Golfo Pérsico. Os proxies do Irã, os quais eram usados para atacar Israel e mantê-lo sob pressão, estão mais fragilizados do que nunca. O Hamas não se atreveu a se juntar ao Irã, em Gaza, nem os Houthies no Iêmem. E o Hezbollah está sendo dizimado por ter lançado seus mísseis contra o Estado judeu. Definitivamente, pode-se dizer que “o arco de Elão” foi quebrado e dias mais brilhantes se vislumbram para o sofrido povo do Irã, Israel e todo o Oriente Médio.

Espalhados aos quatro ventos

A profecia de Jeremias também promete enviar o povo iraniano para a diáspora, dispersando-o pelos “quatro ventos dos quatro cantos da terra”. Isso vem ocorrendo desde o início da revolução islâmica. Não há um só canto da Terra ou uma só nação que não tenha recebido um iraniano em fuga do regime tirânico que depôs a monarquia do xá. Após as manifestações de júbilo dos iranianos na diáspora, no dia 28 de fevereiro, primeiro dia do conflito, o que se viu foram dezenas de países com uma comunidade iraniana significativa celebrando os ataques contra o regime.

Por outro lado, essa dispersão dos “elamitas” redundou em que muitos deles viessem a conhecer Yeshua nos países para onde foram espalhados, tanto de judeus persas como de iranianos gentios. Somente Deus pode enumerar a quantidade exata daqueles que foram alcançados pelo Evangelho fora do Irã. Por outro lado, a igreja iraniana dentro do país, sob a perseguição implacável do regime, cresceu de modo absurdo nesse período, silenciosamente. Não se tem uma estimativa do número de persas que vieram para a fé durante a perseguição, mas cristãos que fugiram do Irã estimam que haja milhões de seguidores de Yeshua que vivem sua fé em segredo. Muitos destes foram martirizados até a morte por não terem renunciado ao Senhor quando confrontados pelo regime.

Promessa de avivamento

A profecia termina com a promessa de que o Senhor estabelecerá seu trono em Elão. Essa é uma palavra a que os cristãos persas têm se apegado há muito tempo e esse parece ser o timing correto, pois isso não ocorrerá sem que antes o Senhor destrua “dali o rei e os oficiais”. Isso se cumpriu literalmente no primeiro minuto da guerra, quando a Força Aérea Israelense eliminou o supremo líder do Irã com toda a cúpula do governo e os líderes do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica. Foram “destruídos” de uma só vez “o rei e os oficiais”.

Agora o caminho começa a se abrir para a volta do príncipe Reza Pahlavi, herdeiro do trono deposto pelos aiatolás e exilado há quase meio século. É possível que a guerra se estenda por semanas ou meses até que caia completamente o regime terrorista que oprimiu e derramou o sangue de milhares de vidas de seu próprio povo. Parece que estamos testemunhando os dias que, embora debaixo de angústia e dificuldades por causa do conflito, o Irã voltará a ser uma nação livre. E “nos últimos dias”, que já vivemos hoje, “mudarei a sorte de Elão, diz o Senhor”.

Essa mudança já prevê um êxodo em massa de iranianos desejosos de voltar para sua pátria, dos quais muitos são discípulos de Yeshua. E poderemos esperar, em seguida, um grande avivamento naquele país. A terra em que viveram Mordechai, Ester e Daniel receberá de volta seus filhos para proclamar o nome do Deus de Israel e avançar no chamado da grande comissão para o amado povo persa. Que assim seja!

 

Getúlio Cidade é escritor, tradutor e hebraísta, autor de A Oliveira Natural: As Raízes Judaicas do Cristianismo e do blog www.aoliveiranatural.com.br.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Purim: A história se repete

FONTE: http://guiame.com.br/colunistas/getulio-cidade/guerra-no-ira-e-profecia-de-jeremias.html


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